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Curso Afro-Pará

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Grupo de Trabalho discute políticas de igualdade racial no Pará

Com o objetivo de debater com órgãos e entidades governamentais e não governamentais ações de promoção da igualdade racial nas políticas públicas federais, foi aberto na manhã desta terça-feira (12), no auditório da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), o encontro do Grupo de Trabalho responsável pela articulação de ações estaduais de garantia dos direitos humanos no Estado. O encontro é promovido pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), com participação da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e de outros órgãos estaduais.
O encontro prossegue até às 18h30 desta quarta-feira (13), debatendo temas como Políticas Públicas para a População Negra e Políticas Culturais Africanas e Afrodescendentes.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Ministério da Educação convida para Reunião Técnica sobre Educação Escolar Quilombola no Pará

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfWGLS3AlBc-YFId2sBErrgFHV_sCrWyFeurGi1iYTX9t6mHg/viewform?usp=sf_link

Nos dias 27 e 28 de setembro de 2017, de 8 as 17h, na cidade de Belém, no Auditório da EEEFM Visconde de Souza Franco, o Ministério da Educação (Mec), por sua Coordenação-Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais (CGERER)/Diretoria de Políticas para Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais (DPECIRER), realizará uma Reunião Técnica sobre Educação Escolar Quilombola no Pará.

(Faça aqui sua inscrição)

O objetivo do encontro é de dialogar com gestores/as, professores/as e lideranças quilombolas sobre a oferta de uma educação básica de qualidade que respeite e valorize a história e cultura das comunidades remanescentes de quilombos, considerando a Resolução 08/2012 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola. Ver abaixo proposta de pauta.

Convidamos para esta Reunião Técnica, gestores/as dos municípios que atendem as comunidades remanescentes no quesito educação, gestores/as de políticas públicas que atendam quilombolas, profissionais da educação, bem como as representações quilombolas.


Atenciosamente,


Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (COPIR)
Secretaria Adjunta de Ensino (SAEN)
Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC)
Rodovia Augusto Montenegro Km 10 s/n
CEP 66.820-000
Fone: (91)3201-5157 

www.copirseduc.blogspot.com

Coordenação-Geral de Educação para as Relações Étnico-Raciais
CGERER/DPECIRER/SECADI/MEC
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 2º andar - sala 211
CEP: 70047-900 - Brasília - DF
Tel.: (61) 2022-9052/9049
http://etnicoracial.mec.gov.br/




Proposta de Pauta
- Plano Nacional de Educação (2014-2024): Metas e estratégias
- Plano Plurianual
- Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola (Espaço físico, Currículo, Formação de Professores/as, Transporte e Alimentação Escolar)
- Plano de Ações Articuladas - PAR (ampliação da rede física escolar, elaboração, aquisição e distribuição de materiais didáticos)
- Bolsa Permanência para discentes quilombolas nas Universidades
- A Base Nacional Comum Curricular

Serviço:
Reunião Técnica sobre Educação Escolar Quilombola
27 e 28 de setembro de 2017, de 8 às 17h
EEEFM Visconde de Souza Franco
Endereço: Av. Alm. Barroso, 1150 - Marco, Belém - PA, 66095-000.
Mais informações: (91) 3201-5157 ou copirseduc@gmail.com

(Faça aqui sua inscrição)

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Chamada para apresentação de banners no II Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais, em Belém, de 27 a 29 de novembro de 2017


II Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais: Enfrentamentos, Diálogos e Novas Práticas Pedagógicas para as Relações Raciais na Educação Básica
27 a 29 de novembro  de 2017
Belém/PA

REGULAMENTO PARA EXIBIÇÃO DE BANNERS

1 DISPOSIÇÕES GERAIS
A Coordenadoria de Educação para Promoção da Igualdade Racialno uso das atribuições que lhes são conferidas, comunica as normas e condições estabelecidas para a inscrição de banners para apresentação no  II Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais: Enfrentamentos, Diálogos e Novas Práticas Pedagógicas para as Relações Raciais na Educação Básica.
O período de apresentação dos banners será das 18h de 27 de novembro de 2017 às 18h do dia 29 de novembro de 2017,  no auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Pará - IFPA C, que se localiza na Av. Almirante Barroso, s/n , Marco, Belém/PA.
O objetivo deste evento é articular diversos projetos voltados para Educação Básica, fortalecendo o atendimento de todos os níveis e modalidades da educação, em consonância com o que institui a Resolução 01 de 2004 - CNE, garantindo o acesso, permanência e educação de qualidade com base nas legislações vigentes direcionadas às políticas publicas educacionais, estabelecendo interface com a política já existentes, além de disseminar informações, estudos e pesquisas sobre a realidade da população negra no Pará.


2 DA PARTICIPAÇÃO
Qualquer pessoa interessada poderá submeter seu resumo para análise, desde que cumpra todas as normas estabelecidas nesse regulamento.


3 DA INSCRIÇÃO
3.1 O/A interessado/a deverá submeter um resumo para o email copirseduc@gmail.com.
3.2 A data limite de recebimento de resumos é 27 de outubro de 2017.
3.3 Dia 13 de novembro de 2017 será divulgada lista de resumos aprovados para exposição de banners. 
3.4 O/A interessado/a deverá seguir as instruções de formatação exigidas para que seu trabalho seja aceito.

4 DA FORMATAÇÃO
4.1 Os resumos devem ser escritos em Língua Portuguesa.
4.2 A fonte utilizada deve ser configurada em Arial, tamanho 12 (doze), espaço simples. Configuração da página em formato A4 (21 x 29,7), orientação tipo retrato, com margem superior, inferior, esquerda e direita de 2,5 cm.
4.3 O título do resumo deverá ser centralizado, escrito em caixa alta, em negrito e os nomes científicos em itálico. 
4.4 Os/as autores/as deverão ter seus nomes completos, logo abaixo do título. Somente a primeira letra em caixa alta, fonte Arial, tamanho 12 (doze), em negrito, texto alinhado à direita e numerados (sobrescrito) para indicar a filiação.
4.5 A filiação/origem (instituições e endereço de e-mail do autor) deverá estar localizada como nota de rodapé, utilizando fonte Arial, tamanho 10 (dez), justificado.
4.6 O texto do resumo deverá conter, no máximo, 200 palavras, em um só paragrafo justificado, espaçamento simples entre as linhas. Não deve conter citações bibliográficas, figuras, gráficos e/ou tabelas. Deve ser informativo, sucinto e apresentar breve introdução, objetivo, metodologia, resultados mais relevantes e conclusão.
4.7 Logo após o texto do resumo devem ser inseridas, no máximo, 3 (três) palavras-chave, separadas por ponto e vírgula, representativas do trabalho, preferencialmente distintas de palavras utilizadas no título;
4.8 Se houver órgãos financiadores, inserir apenas as siglas separadas por ponto e vírgula.

5 DA CONFECÇÃO DO BANNER
5.1 Os banners deverão estar prontos e com suporte para serem pendurados nos ganchos disponíveis, ou conter espaço para que sejam fixados com adesivos, a critério do expositor.
5.2 Deverão estar escritos em Língua Portuguesa.
5.3 A medida do banner deverá ser de, no máximo, 90 cm (horizontal) x 1,20 cm (vertical).
5.4 O banner deverá ficar exposto durante todo o evento.
5.5 Caso o banner não seja retirado até o horário previsto, a Secretaria o retirará e a Comissão Organizadora não se responsabilizará por eventuais danos ou extravios.
5.6 O título deverá ser o mesmo do resumo. Usar caixa alta de 3cm de altura. Abaixo do título, com letras menores, colocar o(s) nome(s) do(s) autor(es) e a instituição.
5.7 Quaisquer tabelas e/ou imagens deverão estar legendadas.
5.8 Métodos, resultados e conclusões deverão ter seções separadas.

6 DA CERTIFICAÇÃO
6.1 Todos os trabalhos serão compartilhados/divulgados em formato PDF no blog da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (COPIR) www.copirseduc.blogspot.com.
6.2 Cada autor/a do trabalho terá um certificado emitido.

7 BANCA AVALIADORA
7.1 Caberá à Coordenadoria de Educação para Promoção da Igualdade Racial o julgamento dos trabalhos.


Coordenação
Coordenadoria de Educação para Promoção da Igualdade Racial

II Seminário de Educação para as Relações Étnico-raciais, em Belém, de 27 a 29 de novembro

Tema: Enfrentamentos, Diálogos e Novas Práticas Pedagógicas para as Relações Raciais para Educação Básica


As políticas de ações afirmativas correlatas à inclusão, ao reconhecimento e à reparação para com o povo negro, são consequências de lutas lideradas pelo Movimento Negro em articulação com outros coletivos sociais do cenário regional, nacional e internacional, com o propósito de desconstruir o mito da democracia racial e constituir um novo projeto de sociedade, um novo paradigma. Entre estas políticas destacamos por sua relevância, a Lei 10.639/03, que alterou a Lei 9.394/96 que dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, estabelecendo a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica, nos Art. 26, 26 A e 79 B.

Em outras palavras, a Lei é uma política curricular que visa o reconhecimento da história e da cultura dos africanos e dos afro-brasileiros na constituição da nação brasileira, assim como deve assegurar a implementação de propostas pedagógicas de combate ao racismo e à discriminação, cuja elaboração contemple ações educativas para relações étnico raciais que valorizem a população negra, objetivando fortalecer entre os negros e despertar entre os não negros a consciência negra. Desta forma, o dispositivo legal oportuniza ao povo brasileiro o conhecimento acerca das histórias e culturas afro-brasileiras, ao lado das indígenas, europeias e asiáticas, com o intuito de valorizar as diferentes identidades étnico raciais - considerando a diversidade em todos seus aspectos, seja político, econômico, cultural, regional e local - que compõem a sociedade brasileira e que estão presentes no sistema oficial de ensino.

O II Seminário Educação as Relações Étnico-raciais com o tema: Enfrentamentos, Diálogos e Novas Práticas Pedagógicas para as Relações Raciais para Educação Básica pretende promover o respeito, a proteção e a realização de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais dos povos afrodescendentes, como reconhecidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, atendendo todas as áreas do conhecimento (Linguagens, Códigos e seus Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciência da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias), bem como a produção de conteúdo, no que concerne a emergência de práticas pedagógicas antirracistas, contando com a participação direta dos movimentos sociais, representações do poder público, estudantes e profissionais da educação.

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Negros, mulheres, cultura e periferia em Belém constituem a coluna dorsal do primeiro volume da série Arenas Amazônicas

O primeiro volume da série Arenas Amazônicas é assinada pelo professor Rogerio Almeida e os ex alunos, hoje jornalistas, Lilian Campelo e Daniel Leite 


O professor Rogerio Almeida, do curso de Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) assina a cria, juntamente com ex alunos, hoje jornalistas, Daniel Leite e Lilian Campelo. Sete narrativas dão corpo ao livro. A maior parte foi publicada no renomado site paulista Agência Carta Maior. 
Os textos foram produzidos quando o professor ainda era ligado ao setor privado, e morava em Belém. Na época Almeida era vinculado à Unama, Universidade da Amazônia. A ideia em produzir a coleção soma mais de seis anos, e só agora foi possível viabilizar.
O conjunto de textos sublinha ações coletivas de jovens e pessoas mais experientes em diferentes flancos: cultura, política, direitos humanos e cidadania. A obra em PDF pode ser baixada livremente.
As periferias da insular Belém, a exemplo da Pedreira, Icoaraci, Terra Firme e Guamá, e região metropolitana, caso do bairro da Guanabara são notados fora do esquadro comum dos meios de comunicação da cidade, que preferem o aspecto policialesco.
Grafiteiros, DJs, educadores, professores, estudantes, biscateiros, aposentados e desempregados são personagens da obra. Estes, a partir de inúmeros coletivos se impõem como protagonistas de sua própria História, onde afirmam suas identidades coletivas ou individuais como negros, artistas, cidadãos das “quebradas”, que em Belém são conhecidas como baixadas.
Rios serpenteiam a cidade cortada por canais. Num deles, o dos Mundurukus, à Rua dos Pretos, migrantes maranhenses oriundos do município de Cururupu, Baixada Maranhense a partir do Tambor do Crioula e da Escolinha do Reggae delimitam seus territórios como migrantes negros do vizinho estado. Assim, tambores de crioula, danças, canções, manifestações religiosas e ocupação de espaços públicos e ações em mídias digitais são alguns dos recursos usados.
Na Pedreira, bairro do amor e do samba, à Rua Álvaro Adolfo, o Coletivo Rádio Cipó germinou. O mesmo aglutinou gerações diferentes. O grupo hoje extinto, ganhou o mundo nos anos 2000. A vedete Dona Onete segue carreira com boa aceitação no país e fora dele. Os diferentes artífices continuam a atuar, a exemplo do DJ Montalvão, que segue em sua carreira autoral.
As mulheres ocupam lugar de destaque do volume um da série. Thiane Neves e Nega Suh são jovens ativistas do movimento negro, que em certa medida seguem os exemplos das pioneiras Zélia Amador e Nilma Bentes. Diferentes gerações ocupam a mesma trincheira.
Outra experiente ativista incensada no livro é a professora Hecilda Veiga. Histórica militante pela defesa dos direitos humanos do estado encerra a obra.  A professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e o seu companheiro, o advogado Paulo Fontelles, assassinado na década de 1980 por defender camponeses na luta pela reforma agrária foram fundadores da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH).
Arenas Amazônicas – o projeto da coleção é a publicação de três volumes. O segundo volume enfocará a peleja das populações locais e suas formas de enfrentamento aos grandes projetos. 
No conjunto de oito textos constam as disputas territoriais na região do Jari, fronteira do Pará com o Amapá entre extrativistas e a Jari Celulose, hoje controlada pelo grupo paulista Orsa. Outro trabalho aborda crimes ambientais no município de Barcarena, como os transbordos das bacias de rejeitos das grandes empresas e os impactos econômicos, sociais e ambientais junto às populações locais.
Outro tema delicado tratado no segundo volume do Arenas diz respeito à situação de vulnerabilidade de crianças e adolescentes na Estrada de Ferro de Carajás.  Setores de direitos humanos do Maranhão e do Pará travam uma luta que dura mais de dez anos contra a Vale. Além de documentos e coleta de relatos, os autores acompanharam audiências públicas em São Luís, no Maranhão, e em Marabá, sudeste do Pará.
A cadeia ilegal da exploração madeireira também consta na coletânea de textos. Os autores além de dados oficiais, ouviram vários setores envolvidos no processo. O texto inédito foi uma encomenda de um grande site por conta da COP 21, Conferência Climática ocorrida em 2015.  Por conta da crise, texto não foi publicado.
A comunicação popular é o tema do terceiro e último volume da coleção. Nele, parte da experiência de jornais e rádios do campo democrático do estado será recuperada. O plano é lançar somente em 2018.
Colaboração e parceria conformam a iniciativa, onde o autor contou com o apoio de revisores, diagramadores, gente que fez cessão de fotos, e por aí vai. Antes de qualquer coisa a série Arenas Amazônicas é uma iniciativa coletiva, que apesar dos ventos contrários segue em resistência.
CAMPANHA – Os autores estão fazendo uma campanha com vistas a bancar o trabalho de diagramadores e revisores do segundo volume.  As pessoas que apoiarem terão nome publicado numa seção especial da obra.  
Faça a sua doação!
Caixa Econômica Federal/ Conta Poupança
Rogerio Henrique Almeida
Agência - 3229
Conta – 15920-0
A campanha segue até o dia 10 de outubro.
Os apoiadores devem enviar email para araguaia_tocantins@hotmail.com para a inclusão do nome na lista. 
Baixe o volume I AQUI

Fonte: Furo

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Graduandos/as de Ciências da Religião da UEPA realizam Trilha Afro-Amazônica no Museu

 
A Museu Paraense Emílio Goeldi oferta em seu Parque Zoobotânico uma trilha especial que tem foco na preservação e promoção das tradições das religiões de matriz africana, pois essas saberes e práticas colaboram para a sustentabilidade ambiental e vivência comunitária. É a Trilha Afro-Amazônica.
A Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial - COPIR - fechou parceria com o Serviço de Educação do Museu Goeldi para levar estudantes de escolas públicas estaduais para realizarem a trilha no intuito de somar os esforços pedagógicos para a  implementação da Lei 10.639/2003 que determina a obrigatoriedade de ensino da história e cultura africana e afro-brasileira ma Educação Básica.
Mas nesse dia 31 de agosto houve uma parceria inusitada entre COPIR, Museu e Universidade do Estado do Pará - UEPA - que possibilitou a visita de uma turma de terceiro ano do curso de Licenciatura Plena em Ciências da Religião. Os/as graduando/as assistiram um documentário produzido pelo Museu que mostra sacerdotes e sacerdotisas de religiões de matriz africana apresentando vários componentes da flora e fauna amazônica que são símbolos ou sinais da presença das suas divindades e de seus valores civilizatórios. O vídeo está disponível na internet (clique aqui). Posteriormente, caminharam e fizeram contato com os pontos referenciais que compõem a trilha, somando outras informações e levantando questões para aprofundamento dos temas abordados.
Para a professora Rosilene Quaresma, que monitorava a turma da UEPA, "a trilha é uma oportunidade de pensar na prática docente para além da sala de aula". A professora Lúcia Santana, do Serviço de Educação do Museu, no final de percurso da trilha, falou da satisfação de acolher estudantes de uma universidade pública, afirmando que "apesar da circunstância de crise que vive o país, o Museu mantém o seu compromisso com a sociedade de dispor de conhecimento e ciência".
No final, houve propostas de se formalizar a parceria da UEPA, incluindo a possibilidade de seus graduando possam concorrer aos estágios remunerados ofertados pelo Museu.


Texto e fotos: Marcos Pinheiro e Tony Vilhena

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Me gritaram negra, poema de Victoria Santa Cruz

Durante o Seminário de Elaboração de Conteúdos para Etnicidade e a Diversidade Étnico-racial, realizado na Escola Estadual Hildeberto Reis, na cidade de Aurora do Pará, nos dias 24 e 25 de agosto de 2017, um grupo de trabalho composto por professoras e professores das escolas públicas (foto) apresentou o poema abaixo, proporcionando uma reflexão profunda e emotiva no plenário.
 

Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!
“Por acaso sou negra?” – me disse
SIM!
“Que coisa é ser negra?”
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia.
Negra!
E me senti negra,
Negra!
Como eles diziam
Negra!
E retrocedi
Negra!
Como eles queriam
Negra!
E odiei meus cabelos e meus lábios grossos
e mirei apenada minha carne tostada
E retrocedi
Negra!
E retrocedi . . .
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
E passava o tempo,
e sempre amargurada
Continuava levando nas minhas costas
minha pesada carga
E como pesava!…
Alisei o cabelo,
Passei pó na cara,
e entre minhas entranhas sempre ressoava a mesma palavra
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Neeegra!
Até que um dia que retrocedia , retrocedia e que ia cair
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra!
Negra! Negra! Negra!
E daí?
E daí?
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
Negra!
Sim
Negra!
Sou
Negra!
Negra
Negra!
Negra sou
De hoje em diante não quero
alisar meu cabelo
Não quero
E vou rir daqueles,
que por evitar – segundo eles –
que por evitar-nos algum disabor
Chamam aos negros de gente de cor
E de que cor!
NEGRA
E como soa lindo!
NEGRO
E que ritmo tem!
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro Negro
Negro Negro Negro
Afinal
Afinal compreendi
AFINAL
Já não retrocedo
AFINAL
E avanço segura
AFINAL
Avanço e espero
AFINAL
E bendigo aos céus porque quis Deus
que negro azeviche fosse minha cor
E já compreendi
AFINAL
Já tenho a chave!
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO NEGRO NEGRO
NEGRO NEGRO
Negra sou!




Victoria Santa Cruz, a força de uma voz afro-peruana
por Débora Armelin



 Victoria deixa sua mensagem de que é preciso sim absorver o que vem de forma negativa, mas transformá-lo em afirmação (Foto: Reprodução)


Tinha sete anos apenas,
apenas sete anos,
Que sete anos!
Não chegava nem a cinco!
De repente umas vozes na rua
me gritaram Negra!
Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra! Negra!
“Por acaso sou negra?” – me disse
SIM!
“Que coisa é ser negra?”
Negra!
E eu não sabia a triste verdade que aquilo escondia

(…)


Com uma voz forte e intensa, Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra declama seu poema “Gritaram-me nega” em referencia a experiência de preconceito vivida ainda criança dentro de um grupo de amigos que a expulsaram simplesmente por ser negra.

Foi a partir deste momento que a poeta, coreógrafa, estilista e folclorista afro-peruana passou a refletir sobre a importância do sofrimento, percebendo que certas injustiças poderiam até despertar ódio. Tais experiências fizeram com que ela se reconhecesse como negra, aumentando assim sua autoestima e fazendo com que descobrisse o prazer de viver de uma forma mais equilibrada. Victoria cresceu, consciente de sua negritude.

Nascida em La Vitoria, província de Lima, Peru, no ano de 1922, a arte e a cultura afro-peruana a rodeava. Seu pai, Nicomedes Santa Cruz Aparicio, foi um importante dramaturgo e poeta, e sua mãe, Victoria Gamarra, bailarina de marinera (dança típica do Peru que une raízes culturais indígenas, africanas e espanholas) e filha de um famoso ator.

Aos 36 anos, Victoria cria o grupo Cumanana juntamente com seu irmão mais novo, o poeta, pesquisador e jornalista Nicomedes Santa Cruz Gamarra, um dos primeiros grupos teatrais inteiramente integrado por negros que tinha como intuito difundir as diversas vertentes da cultura afro-peruana. Deste projeto, posteriormente, foram lançados alguns discos contando um pouco da história deste povo e de suas manifestações artísticas.

Com a possibilidade de viajar a Paris para estudar na Universidade de Teatro das Nações e Escola Superior de Estudos Coreográficos, a poeta se destaca como figurinista, trabalhando em obras como “El retablo de Don Cristóbal”, de García Lorca e em “La Rosa de Papel”, de Ramón Del Valle Inclán.

Em seu retorno, funda a “Companhia Teatro e Danças Negras do Peru” fazendo apresentações nos melhores teatros e na televisão, chegando inclusive a representar seu país nos Jogos Olímpicos do México em 1968 com grande êxito e premiada por seu trabalho.

Victoria sempre se mostrou engajada em construir sua identidade negra utilizando o próprio corpo como suporte de resistência e afirmação, assim como também esteve envolvida na busca da valorização das tradições musicais e culturais negras no Peru. Em consequência de seu engajamento, a artista recebe, em 1970, o prêmio de melhor folclorista no primeiro Festival e Seminário Latino-americano de TV, organizado pela Universidade Católica do Chile.

Posteriormente, ela correu o mundo com sua companhia, especialmente nos tempos em que era diretora do Conjunto Nacional de Folclore do Instituto Nacional da Cultura. Victoria chegou a fazer turnês pelos Estados Unidos, El Salvador, França, Bélgica, Suíça, entre outros países.

Victoria Santa Cruz foi uma das poucas mulheres latino-americanas e negras a lecionar na requisitada Universidade Carnegie Mellon, Pensilvânia, nos Estados Unidos, entrando, à principio como professora convidada, mas anos depois alcança o cargo de professora vitalícia.

Em 2014, após muita dedicação ao estudo e à preservação da tradição afro-peruana, a artista veio a falecer aos 91 anos por conta de uma debilidade em sua saúde, mas deixou um legado forte e importantíssimo, sendo considerada como porta-voz de muitas mulheres negras que enfrentam a cada dia a ditadura do ideal de beleza branco.

Victoria deixa sua mensagem de que é preciso sim absorver o que vem de forma negativa, mas transforma-lo em afirmação, fortalecendo assim o ser como sujeito numa maior compreensão de si mesmo. É o renascer, é se esclarecer como negra pertencente a este mundo. Para a poeta, se todas as “diferentes” raças não perceberam que são uma só, jamais descobrirão o que é o homem!
http://www.afreaka.com.br/notas/victoria-santa-cruz-forca-de-uma-voz-afro-peruana/

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A 18ª Unidade Regional de Educação, de Mãe do Rio, recebeu seminário sobre diversidade étnico-racial

Nos dias 24 e 25 de agosto, a Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC), através da sua Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (COPIR), promoveu o Seminário de Elaboração de Conteúdos para Etnicidade e a Diversidade Étnico-racial, realizado na Escola Estadual Hildeberto Reis, na cidade de Aurora do Pará.

O Seminário foi formulado com o intento de propiciar um encontro entre os(as) profissionais da educação para refletir, discutir, partilhar e construir conhecimentos relativos às questões dos conteúdos formativos para a educação das relações étnico-raciais, destacando as práticas pedagógicas e os componentes curriculares, tendo em vista atividades, posturas, sugestões de abordagens e características que os gestores, técnicos e docentes podem assumir junto ao contexto escolar. 

Para a professora Maria do Socorro Assis Franco, que é da comunidade de São Mateus e leciona na escola municipal Raimunda Mendes, em Aurora do Pará, "a experiência de trabalhar o tema 'educação escolar quilombola' é muito satisfatória pela possibilidade de aquisição de mais conhecimentos sobre nossas origens". 

Já para Ivanês Brito Veras, professora na escola estadual Emilio Pantoja, que atende diretamente alunos/as oriundos/as de comunidades quilombolas e ribeirinhas, "participar de uma formação sobre este assunto é ter um direcionamento para cumprir as exigências da inclusão da diversidade nos currículos, observar o multiculturalismo, com interdisciplinaridade, com professores falando a mesma língua, entusiasmando toda a equipe".

O Seminário lançou uma semente propositiva para a cidade de Aurora do Pará de ideias criativas para a implementação da Lei 10.639/2003, que determina o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira como estratégia de enfrentamento ao racismo. Deixou também um legado propositivo de ideias que já podem ser adotadas por escolas, como o quadro abaixo de inclusão de conteúdos.











Seminário de Elaboração de Conteúdos para Etnicidade e a Diversidade Étnico-racial

Área de conhecimento ou componente curricular: Matemática e Ciências Naturais
Proponentes:
Andre Alves Sobreira
Irene Cecília de Araujo
José Vieira Araújo
Maria Bernadeth Borges Pereira
Romildo Robson Silveira da Silva

Matemática
EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Razão
Porcentagem
Estatística
Probabilidade
Matemática Financeira
Trabalhar com leituras que relatem dados como:
· Prisão entre brancos e negros;
· Perspectiva sobre a qualidade de vida;
· Diferenças de acesso á escolaridade;
· Índice de mortalidade infantil;
· Verificação de valores monetários entre as moedas africanas e outras.
Saberes sobre territorialidade
Trigonometria
Geometria Plana
Geometria Espacial
Mostrar as contribuições africanas em fatos como
· Calendários;
· Medidas de terra;
· Pirâmides

Física
EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Cinemática

Gravitação Universal
· Velocidades dos africanos nas competições;
· Velocidade do Guepardo;

· Trabalhar sobre a influências dos astros na construção dos calendários e fatos religiosos

Saberes sobre territorialidade
Estática
Dinâmica
Hidrostática


· Trabalhar sobre a construção das Pirâmides, que por sua vez tem as faces triangulares, que exigem a que não aconteça movimentação para continuar sem cair;
· Trabalhar fatos como as irrigações feitas a partir do Rio Nilo.

Biologia
EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Citologia





Genética
Trabalhar com fatos pertinentes a:
· Camadas da pele


Trabalhar com fatos pertinentes a:
· Pigmentação da pele;
· Miscigenação (probabilidade em Genética)
Saberes sobre territorialidade






Taxionomia
Trabalhar com fatos pertinentes a:
· Relação entre as doenças causadas por microorganismo e a falta de saneamento básico;
· Uso das plantas medicinais como costume dos povos africanos.


Química
EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Reações químicas
Trabalhar com fatos pertinentes a:
· Purificação da água;
· Poluição dos mananciais;
· Coleta seletiva do lixo.



Área de conhecimento ou componente curricular: Ciências Sociais, História, Geografia, Sociologia, Filosofia
Proponentes:
Darciléa Santos Pereira De Sousa
Esdras Eletier Queiroz Leal
Luiz Carlos Lobato Da Costa
Júlia Pinho Da Silva
Maria Do Socorro Assis Franco
Maria Da Conceição Assis Franco
Maria Rivanilda Alves Felizardo

EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Analisar o processos de chegada dos negros no Brasil, bem como as comissões de trabalho.
1 – Pesquisa bibliográfica, documentário, filmes, entrevistas, e outras fontes que surjam durante a realização de propostas de trabalho
2 – visitas as comunidades remanescentes quilombolas
3 – aplicação de questionários nas áreas  sócios econômicos e cultural dos povos quilombolas.
4 – produção de materiais escritos, visuais e orais que reflitam a pesquisa realizada   
Saberes sobre territorialidade
Identificar a localização geográfica dos principais quilombos no período colonial.

História dos Quilombos no Brasil e na Região (conceitos, lideranças, associações)
Identificar as diferentes formas de resistência, especialmente as formações dos quilombos.

Histórias e datas importantes do Movimento Negro Local, Nacional de Internacional
Desenvolver um estudo sobre os remanescentes quilombolas.

Cultura Africana e Afrobrasileira
Estudar o Quilombo dos Palmares em seus principais aspectos



Área de conhecimento ou componente curricular: Língua Portuguesa
Proponentes:
Anderson Remédios da Silva
Éder Sodré Inácio
Francisco José Ribeiro Costa Júnior
Ivanês Brito Veras
Maria Aparecida de Araújo
Maria Eliana Teixeira de Sousa e Sousa
Marta Regina Moraes Araújo

EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
1Tipologia textual
1.1 Narração: contos, mitos, relatos

2 Variação lingüística, africanidades
2.2 Receitas, línguas, dialetos, músicas, artes visuais
1 Preparar e viabilizar momentos de pesquisas, leituras e produção textual, lúdico e dramatização.
2 Projeto: O que se como com farinha: pesquisa, dialeto, iguarias, integrar os dialetos e iguarias à cultura africana
Histórias e datas importantes do Movimento Negro Local, Nacional de Internacional
3 Literatura Afro-brasileira e Africana
Datas: 13 de maio e 20 de novembro
3 Propor aos alunos análise da Literatura Afro-brasileira e Africana, bem como, leitura, dramatizações, cartazes, etc.
Projeto Chá Literatura
Trabalhar os descritores para melhorar a compreensão dos conteúdos


Área de conhecimento ou componente curricular: Artes
Proponentes:
Anderson Remédios da Silva

EIXOS
CONTEÚDOS APLICÁVEIS
METODOLOGIA
Saberes, culturas, valores, datas (calendário), personalidades e memórias das comunidades
Mitos, músicas, danças, teatro, pintura, arquitetura e fotografia brasileira com influência africana
- Leitura de textos com orientação do professor
- Seminário e pesquisas
- Debates
- Observação, leitura e releitura de pinturas de autores africanos e afro-brasileiros, como Arthur Timoteo, Estêvão Silva, etc.
- Audição e análise de letras de músicas afro-brasileiras, por exemplo, hip-hop, lundu, síria e outros.
- Exposição de vídeos com danças sob influências africanas, como, as pretinhas de Angola, dança do coco e marujada de Bragança.
- Exposição e análise de cartazes contendo exemplos de esculturas, arquiteturas e fotografias afro-brasileiras.
- Leitura e debate de textos contendo a história do teatro negro no Brasil.
- Dramatização de peças e mitos afro-brasielrio.




Texto e fotos: Cilene Melo e Tony Vilhena