EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Tela Negra no Museu Goeldi

Culturas afro-amazônicas na Primavera do Museu Goeldi

Ações gratuitas evidenciam a riqueza das tradições africanas. Programação faz parte da temporada cultural “Primavera dos Museus”

Agência Museu Goeldi – As histórias e tradições dos povos africanos que chegaram escravizados são uma das bases fortes da formação da identidade da população brasileira. Na contramão de seu valor, esse grande patrimônio é pouco valorizado nas ruas, na mídia e nas escolas. O preconceito que cerca várias das tradições afro-brasileiras tem sido mais forte.
A Lei. 10.639, de 2003, torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas do país, mas, uma campanha agressiva quer mudar essa história e defende o veto de alguns artigos desta lei, que busca promover a autoestima da cultura afro-brasileira.
Em sintonia com a legislação vigente, a edição 2016 da “Primavera dos Museus”, no Museu Paraense Emílio Goeldi, dedica parte da sua programação para divulgar a herança das culturas africanas e sua relação com a natureza amazônica. As atividades acontecerão a partir da próxima semana e têm entrada gratuita. Confira:
Tela Negra – Na próxima segunda-feira, 19, acontecerá a exibição do projeto “Tela Negra”. A atividade é uma parceria do Museu Goeldi com a Secretaria da Educação do Pará para discutir produções audiovisuais sobre as culturas africanas no Brasil. Neste dia, haverá a projeção do vídeo “Afroamazônico e seus símbolos”. O audiovisual faz parte de um material educativo organizado pela bolsista de educação do Museu Goeldi, Tainah Coutinho Jorge, e está integrado a uma trilha que pontua as relações entre culturas afro religiosas e as plantas e cenários encontrados na coleção florística do Parque Zoobotânico do Goeldi. Após a sessão, os participantes farão o percurso da trilha.
Oficina “Patrimônio, Memória e Imagem” – A atividade acontecerá entre os dias 28 e 30 de setembro, de 9h às 12h. O objetivo da oficina é propor aos participantes a reflexão acerca do passado e da compreensão da representatividade da memória, do reconhecimento e pertencimento do patrimônio.
A oficina mostrará como usar recursos de imagem para desenvolver tais questões, revisitando a cultura afrodescendente nos espaços públicos, buscando uma valorização de sua presença e estudando a historicidade social da cultura negra.
As inscrições para uma das 10 vagas da oficina são presenciais e devem ser feitas no Serviço de Educação (SEC) do Museu Goeldi, localizado no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. A entrada para inscrições será realizada pela lateral do parque, na Avenida 9 de Janeiro.
Trilha “Afro Amazônicos e seus símbolos” – A “10ª Primavera dos Museus” despede-se do Museu Goeldi junto com o mês de setembro, no dia 30. Às 9h, no Parque Zoobotânico, será realizada uma edição especial da trilha “Afro Amazônicos e seus símbolos”. Os interessados deverão agendar a visita pelo Núcleo de Visitas Orientadas (NUVOP) por meio do número (91) 31823249.

Serviço
Tela Negra
Exibição do vídeo 'Afroamazônicos e Seus Símbolos'
Palestrante: Tainah Coutinho Jorge e Simone Araújo
Dia: 19 de Setembro
Hora: 9h às 12h
Local: Auditório Alexandre Ferreira, Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Avenida Magalhães Barata, nº 376, bairro São Braz)

Oficina “Memória, Patrimônio e Imagem”
Oficineiras: Tainah Coutinho Jorge e Simone Araújo
Dias: 28 a 30 de Setembro
Hora: 9h às 12h
Local: Auditório Alexandre Ferreira, Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Avenida Magalhães Barata, nº 376, bairro São Braz)
Vagas limitadas
Inscrições: Serviço de Educação do Museu Goeldi (Avenida Magalhães Barata, nº 376, bairro São Braz)

Trilha “Afro Amazônicos e seus símbolos”
Dia: 30 de Setembro
Hora: 9h
Local: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Avenida Magalhães Barata, nº 376, bairro São Braz)

Texto: João Cunha
Galeria de Imagens: 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

SEDUC atua na implementação da Educação Escolar Quilombola

Projeto Educação e Etnicidade desenvolve formação de professores/as, técnicos/as e gestores/as e estudantes quilombolas em 7 municípios do Pará

Seminário de Educação Quilombola em Oriximiná
Visando contribuir para elevação do rendimento escolar de estudantes quilombolas, a Coordenadoria de Educação para Promoção da Igualdade Racial - COPIR, da Secretaria Adjunta de Ensino - SAEN, promoverá o Projeto Educação, Etnicidade e Desenvolvimento: Fortalecimento de Alunos e Alunas Quilombolas da Educação Básica.
O Estado do Pará possui mais de 400 comunidades remanescentes de quilombos presentes em um terço dos seus 144 municípios. O Pará é o terceiro estado brasileiro em número de comunidades quilombolas, ficando atrás apenas da Bahia e Maranhão. Considerando as mesorregiões do estado, há presença quilombola no em pelo menos quatro: Baixo Amazonas, Marajó, Nordeste e Metropolitana de Belém.
Em 20 de novembro de 2012 foi sancionada a Resolução nº 08 do Conselho Nacional de Educação - CNE - que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica, fundamentando e direcionando a concepção de educação escolar quilombola a ser ofertada em todas as modalidades de ensino da educação básica destinado ao atendimento das populações quilombolas rurais e urbanas em suas mais variadas formas de produção cultural, social, política e econômica.
O Projeto Educação, Etnicidade e Desenvolvimento Quilombola consiste em formação continuada de profissionais da educação quilombolas ou que atuam em comunidades quilombolas, além de oficinas para estudantes abordando questões sobre identidade e fortalecimento de sua autoestima. Ressalta-se ainda, que em maio deste ano a COPIR desenvolveu em parceria com diversas Secretarias de Estado e movimentos sociais quilombolas o primeiro Seminário de Integração de Educação e Políticas Públicas em Comunidades Quilombolas, quando foram definidas diversas estratégias para a melhoria do atendimento educacional das comunidades remanescentes.
A COPIR tem apoiado os municípios que buscam atender as Diretrizes Nacionais da Educação Quilombola, como o de Oriximiná, que já organizou Seminário de Elaboração de Material Didático-Pedagógico para Educação Escolar Quilombola. Outra ação permanente da COPIR é a participação em Audiências Públicas para atendimento às comunidades, como a ocorrida na Câmara de Vereadores em São Miguel do Guamá e no barracão comunitário de Abacatal, em Ananindeua .
Neste ano de 2016, a COPIR  atenderá 07 (sete) municípios, em quatro Regiões, atendendo a 6ª, 8ª, 11ª e 20ª Unidade Regional de Educação - URE, conforme quadro abaixo: 

REGIÃO DE INTEGRAÇÃO / MUNICÍPIOS (URE's) / PERÍODO DO 1º MÓDULO 

Região do Baixo Amazonas: Almeirim (6ª URE) - 12 a 16 de setembro de setembro de 2016; 

Região Guamá: Santa Isabel do Pará (11ª URE) - 26 a 30 de setembro de 2016 / São Domingos do Capim (8ª URE) - 10 a 14 de outubro de 2016 / São Miguel do Guamá (8ª URE) - 28 de novembro a 02 de dezembro de 2016;

Região do Marajó: Cachoeira do Arari (20ª URE) - 17 a 21 de outubro de 2016 e Curralinho (13ª URE) - 17 a 21 de outubro de 2016;

Região do Rio Capim: Concórdia do Pará (11ª URE) - 26 a 30 de setembro de 2016.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Projeto Afro-Pará 2016 atenderá seis municípios

A Coordenadoria de Educação para Promoção da Igualdade Racial - COPIR, da Secretaria Adjunta de Ensino - SAEN, iniciará em setembro o Projeto Afro-Pará, que objetiva desencadear reflexões e discussões acerca das diferentes práticas pedagógicas, por meio de diálogo entre os(as) profissionais da educação no que tange às relações étnico-raciais e a implementação da Lei Nº 10.639/2003, que trata da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana na Educação Básica.

O resultado dessas reflexões e discussões por áreas de conhecimento subsidiarão metodologias que absorvam boas e novas práticas para fundamentar ações pedagógicas relacionadas aos temas em foco, frente à realidade amazônica paraense, com respeito e valorização da diversidade cultural e regional.

A referida formação terá 120 horas certificadas e será desenvolvida em três módulos, sendo 50 horas presenciais, 30 horas presenciais em 2017 e 40 a distância através da plataforma Moodle via Centro de Formação de Profissionais de Educação Básica do Estado do Pará - CEFOR/SEDUC. Veja abaixo a lista dos municípios atendidos e o período do primeiro módulo.

REGIÃO DE INTEGRAÇÃO / MUNICÍPIOS (URE's) / PERÍODO DO 1º MÓDULO

Região do Marajó: Chaves (13ª URE) - 07 a 11 de novembro de 2016

Região do Xingu: Vitória do Xingu (10ª URE) - 17 a 21 de outubro de 2016 / Senador José Porfírio (10ª URE) 07 a 11 de novembro de 2016

Região Carajás: Eldorado dos Carajás (4ª URE) - 07 a 11 de novembro de 2016

Região do Capim: Aurora do Pará (18ª URE) - 12 a 16 de setembro de 2016

Região do Lago do Tucuruí: Novo Repartimento (16ª URE) - 07 a 11 de novembro de 2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Campanha "Mês da Consciência Negra 2016"



A Secretaria de Estado de Educação - SEDUC, por meio da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial, lança a Campanha do Mês da Consciência Negra 2016, com o tema: Consciência Negra: Uma Atitude Diária”, no sentido, de viabilizar ações/projetos e atividades que as Escolas Estaduais da Rede Pública de Educação veem programando para as comemorações do Dia 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra. 
Assim, solicitamos aos Senhores/as Gestores/as, Diretores/as, Técnicos/as e Professores/as que seja enviada para esta Coordenadoria, a programação que será desenvolvida nas escolas neste período através do e-mail: copirseduc@gmail.com, para que possamos elaborar um calendário estadual das atividades, no intuito de que haja a publicização desse momento e valorização das ações que serão desenvolvidas.

Vem aí o Mês da Consciência Negra
Diga o que sua escola vai fazer

A fim de ampliar a visibilidade e repercussão das ações relacionadas ao tema da Consciência Negra promovidas pelas escolas do Pará, a Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial - Copir - solicita que as Unidades Regionais de Educação (URE's), Unidades Seduc na Escola (USE's) e Escolas encaminhem as suas atividades agendadas do Mês da Consciência Negra para o e-mail copirseduc@gmail.com.  
Propomos que respondam os seguintes itens: local (cidade e nome da escola), data do evento, nome do projeto/atividade, o que é a ação, responsáveis e contatos (telefone e e-mail).

Local (Cidade / Nome da escola)
Data / Período
Nome do Projeto / Atividade
O que é a ação
Responsáveis
Contatos







Informamos que as escolas terão até o dia 14 de outubro de 2016 para enviarem o calendário estadual.
20 de Novembro – DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, data de morte de Zumbi dos Palmares (1695) - é referência histórica de auto-organização e resistência à escravidão no Brasil, fazendo parte do calendário escolar (conforme LDB e Resolução 01/2010 do Conselho Estadual de Educação do Pará).
O objetivo da ação é fomentar a discussão das questões relacionadas à valorização da população negra, possibilitando uma reflexão da prática pedagógica frente à diversidade étnico-racial e superação das desigualdades sócio-raciais no ambiente escolar.
Aguardamos a sua colaboração!!!

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Ensaio Fotográfico da Comunidade de ancestralidade negra - Cachoeira Porteira

 Por Kátia Simone Alves de Araújo
Especialista em Educação COPIR/SEDUC
Mestranda em Antropologia UFPA 

Este registro fotográfico procura retratar o espaço comunitário de Cachoeira Porteira. É decorrente de um período de trabalho voltado a formação continuada para professores atuantes em escolas quilombolas, em janeiro do corrente ano, sob a coordenação da Coordenadoria para Educação da Promoção da Igualdade Racial - COPIR/SEDUC, no município de Oriximiná, no Estado do Pará.
É possível registrar diferentes expressões de ancestralidade negra ao longo das margens do rio Trombetas, embora estas pareçam não compor a diversidade étnica, racial e cultural da região amazônica. Há certa invisibilidade em torno dessas comunidades, por serem ofuscadas e silenciadas por pressões econômicas, fundiárias, processos de discriminação e exclusão social.
Entretanto, a presença negra ao longo da calha do Rio Trombetas é documentada desde o começo do século XIX. A existência de “mocambos” as margens do rio se constituiu em decorrência de estratégias de resistência por homens e mulheres que viviam na condição de escravizados no período da economia colonial na região, fugitivos das fazendas de Santarém e Óbidos.
O território remanescente de quilombo de Cachoeira Porteira, está situado no alto curso do Trombetas, é composto por uma rede de parentesco e amizade com cerca de 85 famílias, que vivem da pesca, da caça, das roças, da produção de farinha de subsistência, e da extração comercial da castanha . Durante o período das águas baixas é possível visualizar as rochas dispersas em alguns trechos do rio.   
            A área é tradicionalmente ocupada e organizada ao longo de ambos os lados de uma estrada de terra batida empoeirada, com singelas edificações como: as casas de moradia, a igreja, a escola de ensino fundamental, um alojamento para os professores que não residem na comunidade e provavelmente, também, aos povos indígenas da região. 
A Cachoeira chamada Porteira aparece nos meses do verão na confluência dos rios Trombetas e Mapuera. A Porteira era um lugar estratégico para os quilombolas, e significou o primeiro “obstáculo para as expedições de captura e punição”. Assim, para romperam com sua condição social procuravam refugio nas florestas, fugiam dos cacoais, das fazendas de criar, das propriedades dos senhores estabelecidos nesta área em busca da liberdade negada pelo sistema escravista.
O futuro das populações tradicionais que vivem nessa região está atualmente ameaçado pelos projetos de construções de hidrelétricas na área da bacia do rio Trombetas. Temerosos em perderem suas terras para as barragens, lideranças de 35 comunidades quilombolas vem promovendo encontros no sentido de fortalecer e garantir seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econômicos e culturais. Se insere nessa pauta o respeito e valorização de suas identidades, suas formas de organização e de suas diferentes instituições como a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO).















quarta-feira, 27 de julho de 2016

A mulher negra é a maior vítima de violência no Brasil

* Por Ana Carla Franco e Júlia Gabriela Monteiro

Segundo dados do último mapa da violência, elaborado em 2015 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o homicídio de mulheres negras aumentou 54% em 10 anos, enquanto que o de brancas reduziu 10% no mesmo período, além de evidenciar que a mulher negra também é a maior vítima de estupro. Mas por que as negras são as maiores vítimas?

Assim como os demais países latino-americanos, o Brasil ainda sofre com o racismo estrutural e estruturante em nossa sociedade, fruto de uma cultura escravocrata e colonialista. A população negra não recebeu nenhum tipo de atenção ou política de integração com o fim da escravidão, sendo jogados à margem da sociedade. Para as mulheres negras a situação é pior, pois além de serem vítimas de racismo, sofrem com a violência sexista, sendo utilizadas como objeto sexual por séculos, formando uma cultura que se arrasta até os dias atuais. Em resumo, a camada social mais pobre e marginalizada é a que mais sofre com a violência.

Em face desta situação, uma forte articulação de mulheres nas áreas de comunicação, cultura, acadêmica e afins na América Latina e Caribe organizou o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas em 1992 na República Dominicana, que resultou na criação de uma Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a celebração do dia 25 de Julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha, internacionalizando assim o debate do feminismo negro, que surgiu a partir da década de 70, impondo a necessidade de interseccionalidade de gênero, raça, classe, etnia, orientação sexual e religiosidade, significando assim uma ruptura com um feminismo que não nos contempla, que historicamente foi hegemonizado por mulheres brancas e de classe alta.

Neste dia, pretendemos dar visibilidade à vulnerabilidade da mulher negra em nossa sociedade marcada pelo racismo patriarcal heteronormativo, que vitimiza de forma desproporcional a população de mulheres negras e pobres, além de lutar para o fomento de políticas que venham a atender esta camada e possamos diminuir os índices de violência apontados. As mulheres negras seguem em marcha neste dia pois precisamos dialogar sobre esta problemática.

O protagonismo das mulheres negras no movimento feminista é outro ponto que temos que dialogar. Cadê elas no movimento? E quando estão, quais os papeis delegados às companheiras das quebradas, das periferias, as nossas irmãs negras? Precisamos das vozes das negras, das suas pautas, que são violadas cotidianamente nesse sistema. Até quando, irmã branca, tu vais querer monopolizar a fala? Não é pra diluir o movimento, mas temos que ser diversas em nossas vozes, em nossas lutas, em nossos olhares. Todas são bem vindas pra chegar e construir o movimento feminista, precisamos muito unir forças, mas jamais monopolizar as pautas. Somos muitas e diversas! Não podemos esquecer que temos que passar o bastão do movimento para todas, e nesta luta seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

*Ana Carla Franco é mulher negra, militante da Marcha Mundial das Mulheres-PA, servidora pública e estudante de Ciências Sociais na UFPA.

*Júlia Gabriela Monteiro é mulher negra, militante da Marcha Mundial das Mulheres-PA, Mestra em Ciências da Religião e professora em Manaus.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Mulheres negras marcham em Belém

Pronunciamento da professora Zélia Amador
O dia 25 de julho celebra o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. A data foi criada em 25 de julho de 1992, durante o primeiro Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana, como marco internacional da luta e da resistência da mulher negra.
No Brasil, a data também é nacional, foi instituída por uma Lei de 2014, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.
Em Belém, após intensa mobilização pelas redes sociais organizada pelo Cedenpa - Centro de Estudo, mulheres de diversos movimentos sociais protagonizaram a primeira Marcha das Mulheres Negras, em alusão ao 25 de julho, garantindo grande visibilidade para suas reivindicações e marcando a data na agenda de lutas.
A passeata saiu da Escadinha do Ver-o-Peso rumo à Praça da República, subindo pela Av. Presidente Vargas. Na Praça, o Cedenpa mantém um quiosque denominado Quilombo da República, que é ponto de referência de produção e compartilhamento de cultura negra.
Durante todo o trajeto, mulheres se revezaram no microfone denunciando o machismo e as diferentes formas violência contra as mulheres que se reproduzem diariamente na sociedade, além de entoarem músicas e palavras de ordem sobre seu empoderamento. A doutora Zélia Amador de Deus em seu pronunciamento afirmou que "a luta e resistência tem sido a marca das mulheres negras latino-americanas e caribenhas", considerando que diante do contexto atual a "resistência" tem que ser redobrada para garantir que as mulheres continuem "em marcha sempre".

Veja também o artigo "A mulher negra é a maior vítima de violência no Brasil" 

Texto e foto: Tony Vilhena
Com informações da EBC Radioagência Nacional

quarta-feira, 13 de julho de 2016

COPIR participa de audiência pública em Abacatal



Neste 12 de julho, na Comunidade Remanescente de Quilombo de Abacatal, área rural do município de Ananindeua, na confluência do Bairro do Aurá, ocorreu uma Audiência Pública para tratar de temas diversos, visando a melhoria das condições de vida daquela população.

A mobilização para o evento foi responsabilidade da Comissão de Defesa da Igualdade Racial e Direitos dos Quilombolas da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Pará (OAB/PA), presidida pelo Dr. Jorge Farias. A audiência contou com forte participação dos moradores da comunidade, além de representações de partidos políticos, diversas autoridades governamentais e lideranças de movimentos sociais.

A pauta principal era a segurança pública. Pois há uma tensão gerada por ameaças e tentativa de homicídio por pessoas supostamente ligadas com a criminalidade aos moradores de Abacatal. As Polícias Civil e Militar têm acompanhado o caso e assistido as famílias.

Nilma Bentes, do Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), que acompanha a luta da Comunidade de Abacatal desde a década de 1980, contatou que o cenário de dificuldades pouco mudou, sobretudo na questão de trafegabilidade da estrada que liga a comunidade ao centro urbano da cidade de Ananindeua. O tema relativo a estrada foi muito debatido, gerando encaminhamentos junto aos representantes da prefeitura. Pois, como denunciou o senhor Alonso dos Santos e Silva, uma das lideranças quilombolas, "as péssimas condições das estradas prejudicam o escoamento da produção da agricultura familiar, o acesso da segurança e saúde pública e o transporte escolar". Outro problema muito citado foi o da implantação próxima ao quilombo de uma empresa que deveria fazer o tratamento de resíduos sólidos, mas que tem causado sérios problemas ambientais. 

A Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (COPIR/SEDUC) esteve representada pela professora Hilda Ribeiro e pelos professores Amilton Gonçalves Sá Barretto e Tony Vilhena. Em seu pronunciamento, Amilton Barretto fez menção à notícia de falecimento, nesta manhã, da intelectual e ativista negra Luiza Bairros, doutora em Sociologia (Universidade de Michigan – USA), articulista do Movimento Negro Unificado – MNU e Ministra da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial do Brasil, de 2011 a 2014. Em seguida, Barretto apresentou o Projeto Educação, Etnicidade e Desenvolvimento: Fortalecimento de Negros e Negras Quilombolas na Educação Básica, que está voltado para o fortalecimento educacional de alunos e alunas quilombolas e implementação da Resolução nº 8/2012, do Conselho Nacional de Educação, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica.

O Dr. Jorge Farias reiterou que os encaminhamentos da Audiência serão executados conforme as demandas, sugestões e poder de reivindicação da Comunidade. Nesta perspectiva, dona Santana exclamou no encerramento que "os quilombolas não são coitadinhos pedindo favor aos governos, mas sim, cidadãos e cidadãs exigindo seus direitos, já que cumprem com todos os seus deveres". 

Texto e foto: Tony Vilhena

terça-feira, 12 de julho de 2016

Pesar por Luiza Bairros

É com grande pesar que informamos que Luiza Helena Bairros faleceu esta manhã em Porto Alegre vitima de câncer no pulmão contra o qual lutava há meses.
Natural de Porto Alegre, era graduada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul além de possuir títulos de Mestre em Ciências Sociais (UFBA) e de Doutora em Sociologia (Universidade de Michigan – USA). Morava em Salvador desde 1979, onde atuou em diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Negro Unificado – MNU.  Trabalhou em programas das Nações Unidas – ONU contra o racismo em 2001 e em 2005. Foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia e Ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial do Brasil, de 2011 a 2014. Trabalhava e militava politicamente nas áreas de raça e gênero.
Para os movimentos sociais sobretudo os de mulheres e negros Luiza Bairros deixa reflexões fundamentais para compreensão e acão politica pela igualdade de gênero e raça.
Para a administração publica Luiza Bairros deixa ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir) uma ferramenta que segundo ela inaugura a possibilidade de um novo ciclo das políticas de promoção da igualdade racial no Brasil visando o fortalecimento e a institucionalização de órgãos, conselhos, ouvidorias permanentes e fóruns voltados para a temática nos estados e municípios.
Luiza Bairros considerava que o Sinapir exige um esforço especial de gestores e gestoras no sentido da institucionalização dos órgãos de Promoção da Igualdade Racial (PIR). Segundo ela: “Não existe qualquer possibilidade de uma política pública ser bem-sucedida se o trabalho não for desenvolvido com os entes federados, porque é dessa maneira que se consegue que a política chegue às pessoas. Os resultados desse esforço vão depender também do empenho de governadores e prefeitos na compreensão da política de PIR.”
Para saber mais sobre Luiza Bairros click aqui 
O sepultamento de Luiza Bairros será na próxima 5a. feira  dia 14 de julho as 15 horas na capela 9 do Cemitério João XXIII situado na Avenida Natal, 60 – Medianeira, Porto Alegre. O velório tem inicio hoje às 20 horas no mesmo local.

Fonte: Geledés