II Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra

II Edital Gestão Escolar para a Equidade – Juventude Negra
Inscreva sua escola

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

terça-feira, 21 de março de 2017

Em dia internacional, ONU pede que países combatam discursos de ódio

Estudantes da escola estadual "Ademar de Vasconcelos", em Salvaterra/PA
Na ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, o chefe de direitos humanos das Nações Unidas disse que governos do mundo todo têm a obrigação legal de acabar com o discurso e os crimes de ódio, e pediu que pessoas de todos os lugares “defendam os direitos de alguém”.
“Políticas de divisão e retórica de intolerância estão tendo como alvo minorias raciais, étnicas, linguísticas e religiosas, além de migrantes e refugiados. As palavras que incitam medo e ódio podem, e conseguem, ter consequências reais”, disse o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.
Na ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, o chefe de direitos humanos das Nações Unidas disse que governos do mundo todo têm a obrigação legal de acabar com o discurso e os crimes de ódio, e pediu que pessoas de todos os lugares “defendam os direitos de alguém”.
“Políticas de divisão e retórica de intolerância estão tendo como alvo minorias raciais, étnicas, linguísticas e religiosas, além de migrantes e refugiados. As palavras que incitam medo e ódio podem, e conseguem, ter consequências reais”, disse o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.
O comentário foi feito na ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado anualmente em 21 de março. O tema deste ano é o fim do “perfilamento racial” e o incitamento ao ódio, incluindo as atitudes das pessoas em relação à migração.
Na Cúpula para Migrantes e Refugiados em setembro de 2016, Estados-membros adotaram uma declaração que condenava fortemente atos e manifestações de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância.
A cúpula também lançou uma campanha para mudar percepções e atitudes negativas em relação a migrantes e refugiados.
Em comunicado, Zeid disse que os Estados não podem autorizar a disseminação do racismo e da xenofobia, tendo a “obrigação legal de proibir e eliminar a discriminação racial, para garantir o direito de todos, não importa a raça, cor, nacionalidade ou origem étnica, a serem tratados igualmente perante a lei”.
Ele pediu que os governos adotassem legislação que proíba expressamente o racismo e o discurso de ódio, incluindo a disseminação de ideias baseadas na superioridade racial ou no ódio, no incitamento à discriminação racial e ameaças ou incitamento à violência.
“Não se trata de um ataque à liberdade de expressão ou de silenciar ideias controvérsias ou críticas, mas de um reconhecimento de que o direito à liberdade de expressão carrega consigo deveres e responsabilidades especiais”, disse Zeid.

Discriminação racial perpetua desigualdades

Em comunicado, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, disse que a discriminação racial é um veneno que enfraquece os indivíduos e as sociedades, perpetua a desigualdade e alimenta a raiva, a amargura e a violência.
“A luta contra o racismo e todas as formas de discriminação é um pilar da paz e da coesão social, especialmente nas nossas sociedades cada vez mais diversas”, declarou Bokova.
Na ocasião do Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, a UNESCO convidou todos os Estados-membros e parceiros a intensificarem seus esforços para construir um mundo mais inclusivo, generoso e justo.
“Um dos baluartes contra a discriminação racial é educação, consciência acerca da debilidade das pseudoteorias raciais e o conhecimento dos crimes cometidos em nome desses preconceitos ao longo da história. Nesse espírito, a UNESCO trabalha com professores, museus e editoras para buscar combater estereótipos que estigmatizam indivíduos e povos por causa da sua cor de pele, origem ou filiação.”
Segundo Bokova, não basta reconhecer os efeitos nocivos do racismo. “Nós também precisamos das ferramentas e instintos para combatê-lo e condená-lo onde quer que ele ocorra, sob qualquer forma, desde a mais mesquinha e cotidiana humilhação até a violência agravada”, declarou.
“Essa luta começa na mente de cada um de nós e deve ser transmitida de todas as formas possíveis.”

Fone: ONU

Estudantes discutem a questão racial em projeto da Seduc



Alunos do ensino fundamental menor, com crianças de 6 a 10 anos, da Escola Estadual Rui Barata, receberam nesta segunda-feira (20) o projeto Tela Negra, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) nas escolas da região metropolitana de Belém. Com o uso de filmes e documentários, a iniciativa leva para instituições de ensino discussões sobre as relações étnicas e raciais, objetivando fomentar o estudo da cultura africana e a promoção da igualdade racial.

Após assistirem aos filmes, os alunos têm um momento de reflexão e discussão, liderados por especialistas em educação da Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial (Copir). Para Hilda Cristina Ribeiro, da Copir, o projeto tem papel importante na luta contra o racismo e o preconceito, pois as crianças passam a entender desde cedo que não devem tratar os colegas de forma diferente em função da cor.

"O maior objetivo é combater o racismo. Trabalhar a história africana com essas crianças é muito importante. Conhecer a sua identidade e cultura é primordial para esses pequenos, pois a maioria do povo brasileiro não conhece a própria história, então os estudantes precisam aprender e disseminar sua cultura", enfatizou Hilda Ribeiro.

Os estudantes assistiram ao filme "Pode me chamar de Nadir e vista a minha pele", que retrata o preconceito contra crianças negras e a forma como são tratadas na sociedade, e ao documentário "Disque Quilombola", que aborda a história do povo quilombola, as diferenças e realidades de um grupo que foi morar na cidade e outro que permaneceu no quilombo. A história é contada por crianças que se comunicam por meio de um telefone feito de lata e barbante. A aluna Izabel Ferreira, 9 anos, assistia a tudo com muita atenção. "Estou gostando muito", disse.

Formação – O ensino de História e Cultura Africanas e Afro-Brasileiras, obrigatório nas escolas do país, foi instituído em 2013 pela Lei 10.639. O Conselho Nacional de Educação aprovou as Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais e o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileiras e Africanas a serem executadas pelos estabelecimentos de ensino de diferentes níveis e modalidades, cabendo aos sistemas de ensino orientar e promover a formação de professores e supervisionar o cumprimento das diretrizes.

A Copir, da Seduc, tem promovido a formação inicial e continuada de professores da rede pública, além de trabalhar diretamente com o aluno, em projetos como o Tela Negra. As principais ações voltadas para a formação de professores são a Afro-Pará, que trabalha a formação inicial e continuada de professores da rede pública de ensino da capital e interior, e a Etnicidade, que foca na formação de professores e alunos quilombolas em diversos municípios do Estado. O projeto Tela Negra ocorre durante o ano e culmina no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Por Eliane Cardoso - Ascom/Seduc
Fotos: Paulo Lobo - Ascom/Seduc

quinta-feira, 9 de março de 2017

EQUIDADE RACIAL: educação quilombola em perspectiva.



Filmado em Tracuateua/PA,. Vencedor do Premio "Melhor Filme" pelo Júri Popular, Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA), 2016, em Bragança/PA.

Uma produção com direção do professor Danilo Gustavo Aps

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

COPIR REALIZA FORMAÇÃO PARA ELABORAÇÃO CURRICULAR QUILOMBOLA EM SALVATERRA




 
Em Salvaterra , Marajó, Pará a Copir se fez presente para a construção da II Etapa do Processo de Elaboração do Conteúdos para Educação Escolar Quilombola, ocorrido no período de 31 de janeiro a 02 de fevereiro de 2017, no Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora da Conceição. Na ocasião estiveram presentes, professores, gestores, representantes de comunidades quilombola, um representante da Malungo, Sr. Aurélio, além dos Técnicos da SEMED local e das Especialistas em Educação da COPIR, Professoras Kátia Simone Araújo e Márcia Helena Alves.

Inicialmente no primeiro dia do encontro ocorreu a reunião nas dependências da Secretária de Educação local, com as Especialista da COPIR e os Técnicos da Semed de Salvaterra - Pa, com a participação do Secretário de Educação, Profº. Naudir Modesto de Assis e a Coordenadora da Educação Quilombola, Profª. Joélia Silva. Neste encontro foram discutidos estratégias para a construção da elaboração da Estrutura Curricular e do Plano de Ação que subdsiaríam os trabalhos dos educaçãores da disciplina Educação Escolar Quilombola, instituída pelo munícipio, para atender alunos de escolas localizadas em comunidades quilombolas do referido munícipio. 

A partir do segundo dia, já no Salão Paroquial da Igreja Matriz, foi traçado um plano de estratégia de encaminhamento dos primeiros trabalhos realizados para composição da estrutura e do plano de ação. Neste momento foi apresentado a todos os presentes, os projetos executados pela COPIR no munícipios paraenses, bem como, as atividades que ocorreriam no dia. Posteriormente, iniciou-se com a projeção do Tela Negra, com os seguintes curtas: Trilha Afro amazônica e seus símbolos (Museu Paraense emílio Goeldi) e Educação anti-racista e Idendidaes Afro brasileira, seguindo da Roda de conversa, onde foram debatidos temas gerados a partir da exposição dos filmes assistidos.

Posteriormente deu-se a apresentação do Projeto “Semana Integrada de Combate ao Racismo”, executado em sua 7ª edição. O projeto foi apresentado pelo seu coordenador, professor Vinicíus Darlan Silva Andrade. Na oportunidade o professor fez um relato de sua experiência exitosa, onde ele pode apresentar de forma dialógica e dimâmica os trabalhos desenvolvidos pelos alunos e professores das Escolas Estaduais dos munícipios de Salvaterra e Soure, Ademar Nunes de Vasconcelos e Gasparino Batista, e sua experiência em receber a prêmiação nacional pelo projeto do CEERT - Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade.

Por fim, os participantes reunidos em GTs, dialogaram sobre a elaboração de planos de ação envolvendo 4 temáticas a saber: Sabere e Tecnológias, Relações Ambientais, Memória e Cultura e Promoção da Igualdade Racial e Renêro. Em seguida houve exposição dos grupos com sugestões para ações futuras. 
































Fotos: Simone Araújo e Alan Canel
Texto: Márcia do Carmo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Publicada Resolução do CONANDA - Crianças e Adolescentes de Povos Tradicionais


No dia 26 de dezembro/16, foi publicado, no Diário Oficial da União, a Resolução nº. 181 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), que trata dos "parâmetros para interpretação dos direitos e adequação dos serviços relacionados ao atendimento de Crianças e Adolescentes pertencentes a Povos e Comunidades Tradicionais no Brasil.

Leia aqui a Resolução 181 e aqui a publicação no Diário Oficial da União.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Caderno de Debates – Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana

http://www.seppir.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/pub-seppir/caderno_de_debates.pdf/view
Este Caderno de Debates foi produzido a partir da compilação e sistematização de materiais resultantes de encontros de promoção de diálogo e participação social, cujo marco temporal insere-se no período entre 2011 e 2014. Tais encontros, resultantes de reuniões, seminários e oficinas, tiveram como cerne dos debates o conceito de Povos Tradicionais de Matriz Africana e a relação dessa população com o Estado brasileiro na perspectiva do acesso às políticas públicas e da promoção da igualdade racial. Pretende-se, com esta publicação, que sejam lidas as vozes das lideranças tradicionais de matriz africana que discutiram e refletiram sobre o conceito em voga.



 Fonte: SEPPIR

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Estudantes do Tapanã descobrem cultura dos povos em jogos africanos e indígenas

 Trezentos estudantes do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Padre Francisco Berton, do bairro do Tapanã, participaram neste sábado(21) do I Torneio de Jogos Africanos e Indígenas, organizado pelo professor Guilherme Piedade. A atividade correspondeu à quarta avaliação de Educação Física na escola e serviu para que meninos e meninas conhecessem um pouco mais da função social e das características do jogo Mancala (Kalah) e do Jogo da Onça.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Semana da Consciência Negra na EEEM Pedro Amazonas Pedroso

O projeto pensado e coordenado pelas professoras Flora Scantlebury, Madalena Correa e Socorro César teve como objetivo mostrar aos alunos da Escola Estadual Pedro Amazonas Pedroso, a importância de saber combater o racismo.
Através de rodas de conversas, oficinas de turbante, de leitura e produção de texto e de etnicomatemática, os alunos puderam ter melhor entendimento de sua ancestralidade. 
O Evento que teve inicio no dia 12 de dezembro se encerra na próxima quinta feira, dia 15 com um bate papo em alusão aos 100 anos do samba.









segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A união faz a força

Conectadas pelas redes sociais, elas formam um novo movimento contra o racismo. Conheça as histórias de mulheres negras bem-sucedidas, que lidam com o preconceito desde que nasceram

Yzalú, Zilá, Stephanie (de pé, a partir da esquerda), Mylene, Alexandra, Mayara e Djamila (sentadas, a partir da esquerda): histórias de sucesso e vitória contra o racismo e a discriminação / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
As ofensas racistas sofridas pela judoca Rafaela Silva são emblemáticas do preconceito que está entranhado na sociedade brasileira. Infelizmente, isso não é exceção. PLANETA conversou com sete figuras influentes e inspiradoras. Não por acaso, a maioria participou do TEDxSãoPaulo,­ evento que reuniu, em julho, 18 mulheres negras para dividirem suas histórias. Uma das palestrantes, a juíza Mylene Ramos, escancarou a desigualdade nos sistemas jurídico e carcerário. Nos Estados Unidos, por exemplo, 40% dos condenados no corredor da morte são negros, que constituem 12% da população do país. Com a introdução do exame de DNA em perícias, a ONG Innocent Project, reverteu 341 condenações, 210 delas de réus negros.
Além de Mylene, apresentamos a seguir as histórias da jornalista e consulesa da França em São Paulo Alexandra Loras; da filósofa Djamila Ribeiro; das advogadas Zilá Ferreira e Mayara de Souza; da cantora Yzalú; e da estudante e ativista Stephanie Ribeiro. Todas têm casos de intolerância para contar. “Juntas, enxergamos que todas nós, mulheres intelectuais, antes de nos conhecermos, estávamos sozinhas em universos monocromos brancos. Não tínhamos amigas negras”, explica a francesa Alexandra Loras. “Estamos nos unindo, nos conhecendo e promovendo iniciativas para as mulheres negras terem voz.”
Segundo Eunice Prudente, professora doutora da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, o Brasil ainda vive os papéis sociais formados antes do século 19: o homem negro no estereótipo de homem sexualmente hiperativo, violento e pouco inteligente, com a função de “carregar o piano”, e a negra exercendo funções manuais pesadas, e também hiperssexualizada. Para a professora, falta investir em educação e no ensino de história africana para todos. “Respeitamos o que conhecemos”, diz. “Pelo forte conteúdo afro na cultura brasileira e pelo tamanho da população afrodescendente, isso deveria ser mais cuidada”, diz. Alexandra atesta: “Precisamos acabar com os clichês. Precisamos ver nas novelas juízas negras, governadoras e não apenas a mulher serviçal, submissa e inferiorizada. Precisamos mudar”.
—–

O doce desafio de reinventar-se

Alexandra Loras, 39 anos: a ex-apresentadora de TV e esposa de um diplomata francês encontrou no Brasil um espaço propício para defender os direitos das mulheres negras

Alexandra Loras: “Não dá para continuar tomando minha champanhe e comendo meu petit four sem fazer nada” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Alexandra Loras: “Não dá para continuar tomando minha champanhe e comendo meu petit four sem fazer nada” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
A jornalista francesa Alexandra Loras chegou ao Brasil em 2012, acompanhando o marido, Damien Loras, cônsul-geral do seu país. Durante algum tempo sua principal atividade foi promover eventos na residência consular, nos quais muitas vezes os convidados a confundiam com uma serviçal por ser negra. Aos poucos, porém, ela encontrou terreno fértil para estimular o debate sobre preconceito, liderança feminina e os direitos da mulher negra no Brasil. A recepção calorosa às suas ideias levou a família a se afastar das atividades consulares e a permanecer no Brasil, onde Alexandra faz cerca de cem palestras por mês e lança em agosto o livro Gênios da Humanidade, sobre negros de destaque na história. Ela fala sobre sua trajetória na entrevista a seguir, concedida à repórter Marcela Caetano.
Leia a entrevista aqui!

—–

Defensora dos trabalhadores

Mylene Ramos, 51 anos: juíza se inspira na história dos pais para melhorar a vida de trabalhadores e minorias

Mylene Ramos: “O negro tem de se fortalecer e não abaixar a cabeça. Podemos ser o que quisermos” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Mylene Ramos: “O negro tem de se fortalecer e não abaixar a cabeça. Podemos ser o que quisermos” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Para pagar um mês de cursinho pré-vestibu­lar, Mylene Ramos vendeu, aos 17 anos, seu bem mais precioso: um anel de ouro com um solitário em diamante, comprado dois anos antes para comemorar seu aniversário e seu primeiro emprego, como auxiliar em uma imobiliária. Abrir mão da joia (que depois descobriu ser falsa) a levou a ingressar no curso de direito da Universidade Mackenzie.
Com bolsa de estudos parcial e trabalhando em bicos, a menina nascida no bairro de Campo Grande, Zona Sul de São Paulo, formou-se advogada. Prestou vários concursos até alcançar o posto de juíza do trabalho, em 1994. Entre 1997 e 1999 fez mestrados nas faculdades de direito das universidades de Columbia e Stanford (EUA). Hoje é juíza diretora do Fórum Trabalhista da Zona Sul de São Paulo e se destaca em casos de discriminação, trabalho escravo e acidentes de trabalho.
O que mais inspirou Mylene a buscar essa área foram as injustiças sofridas por seus pais. A mãe, doméstica, trabalhava de domingo a domingo. O pai era mecânico de máquinas pesadas e teve um derrame aos 36 anos, após passar dias trabalhando sem descanso nas obras do metrô de São Paulo. “Sabia que poderia desenvolver um bom trabalho por causa da minha experiência pessoal”, diz.
Ser uma autoridade pública não poupa Mylene de passar por situações discriminatórias. Ela conta que é comum ser ignorada em restaurantes ou lojas, ou ainda que um vendedor insinue que ela não teria dinheiro para comprar um produto. Nada disso a abala. “O negro tem de se fortalecer e não abaixar a cabeça. Podemos ser o que quisermos”, diz.
—–

Militância de berço

Djamila Ribeiro, 36 anos: filósofa faz a diferença na Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, levando atendimento para populações vulneráveis

Djamila Ribeiro: “O estranhamento por eu ocupar esse cargo mostra o quanto temos de evoluir” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Djamila Ribeiro: “O estranhamento por eu ocupar esse cargo mostra o quanto temos de evoluir” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
A militância sempre esteve presente na casa de Djamila Ribeiro. O pai, estivador no porto de Santos (SP), era sindicalista e atuava no movimento negro. Trabalhava muito para oferecer aos quatro filhos momentos de cultura, como tea­tro e cursos de inglês. Por volta dos 18 anos, ela entrou na ONG santista Casa de Cultura da Mulher Negra. Trabalhou na biblioteca e escreveu para a revista da entidade, e assim entrou em contato com várias autoras e feministas negras. Em 2012, formou-se em filosofia pela Universidade Federal de São Paulo e concluiu o mestrado em 2013.
Em maio deste ano, tornou-se secretária adjunta de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Desde criança Djamila enfrentou situações de racismo, como colegas de escola evitarem dançar com ela na festa junina e meninas do bairro impedirem-na de brincar porque as bonecas eram brancas. “Criança negra lida com racismo desde muito cedo”, diz.
Entre as a­ções da Secretaria, ela destaca a implantação de Centros de Cidadania LGBT e do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes e o atendimento a mães cujos filhos foram mortos por ações policiais. Djamila ainda vive situações embaraçosas, quando as pessoas demoram a entender que ela é a secretária esperada para uma reunião. “Isso mostra o quanto temos de evoluir”, afirma.
—–

Espaço garantido

Zilá Ferreira, 36 anos: ela advoga em favor de oportunidades reais para a parcela negra da sociedade

Zilá Ferreira: “Ninguém é obrigado a não ser racista, mas as pessoas precisam ser educadas” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Zilá Ferreira: “Ninguém é obrigado a não ser racista, mas as pessoas precisam ser educadas” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Tanto como advogada quanto como ativista, Zilá Ferreira está determinada a reverter a desigualdade de oportunidades da parcela negra da sociedade brasileira. Como assessora de políticas públicas no Projeto Educafro, quando ainda fazia cursinho, trabalhou para identificar as universidades estaduais e federais que não adotavam o sistema de cotas raciais e estimulá-las a se abrir aos negros e jovens em situação de vulnerabilidade. Em outra frente, dedicou-se a transformar vagas de universidades particulares em vagas públicas. “Avançamos muito com o Prouni”, afirma.
Ela também defende a participação negra na moda. Foi uma das organizadoras do desfile-protesto contra a ausência de modelos afrodescendentes nas passarelas da São Paulo Fashion Week, em 2007, que originou um Termo de Ajuste de Conduta para o evento cumprir cotas raciais.
Há dois anos, Zilá trabalha com Alexandra Loras, até agosto consulesa da França em São Paulo. “Ela transcendeu seu cargo, tem voz e espaço em lugar onde muita mulher nem imagina chegar. Porque sofreu aqui situações piores do que no exterior, e trata esse tema – que incomoda – de uma forma muito elegante.”
A própria Zilá viveu a agressividade do racismo quando trabalhava em uma grande multinacional. Enviada para dar treinamento na Bahia, de início surpreendeu por ser mulher, negra e ocupar aquele cargo. Mas o verdadeiro choque aconteceu ao ouvir os gritos de um funcionário de alto nível hierárquico, que se recusava a fazer o treinamento com ela: “Sua macaca, saia daqui com as suas macaquices”. Zilá reportou o ocorrido ao escritório de São Paulo e abriu um boletim de ocorrência. “Ele foi demitido e eu fui convidada para participar da diretoria. Uma postura louvável da empresa. Ninguém é obrigado a não ser racista, mas as pessoas precisam ser educadas.”
—–

Porta-voz das injustiças

Yzalú, 33 anos: cantora dá voz às discriminações sofridas pelas mulheres negras

Yzalú: “Uma gerente dizia que meu cabelo black não condizia com aquele ambiente de trabalho” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Yzalú: “Uma gerente dizia que meu cabelo black não condizia com aquele ambiente de trabalho” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Luiza Yara Lopes Silva, a Yzalú, sentiu na pele aos 26 anos como o racismo é institucionalizado, quando foi trabalhar em uma grande multinacional como assistente de logística. Enquanto sua promoção demorou seis anos, funcionários com menos tempo de casa e resultados iguais aos dela subiam na hierarquia. “Uma gerente dizia que meu cabelo black não condizia com aquele ambiente”, diz. “O chefe que enfim me promoveu disse que não entendia por que isso não tinha acontecido antes.”
Mas Yzalú, nascida em uma família humilde de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, estava habituada a superar obstáculos. Um problema congênito fez com que sua perna não se desenvolvesse e ela precisasse usar prótese desde criança. A mãe se desdobrava em mais de um emprego para sustentar sozinha a moça e o irmão. Formada em marketing na Faculdade Metodista, Yzalú dedicou-se ao trabalho, mas percebeu que, para ascender, demoraria muito mais tempo do que os colegas. “Não havia nenhuma mulher negra em cargos executivos na empresa”, diz.
Depois de oito anos de multinacional, decidiu seguir sua paixão: a música. Lançou em março deste ano seu primeiro disco, Minha Bossa É Treta, em um estilo que define como música periférica brasileira, que inova ao unir o violão ao rap e leva a influência de jazz, samba, afrobeat e MPB. A letra de “Mulheres Negras”, que Yzalú lançou em 2012 e se tornou um divisor de águas na sua carreira, é uma bandeira feminista e antirracista: “Não fomos vencidas pela anulação social / Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial / O sistema pode até me transformar em empregada / Mas não pode me fazer raciocinar como criada”.
—–

Sem medo de enfrentamento

Stephanie Ribeiro, 23 anos: ativista com 30 mil seguidores e aluna de arquitetura, ela denuncia a discriminação e ganha notoriedade na internet

Stephanie Ribeiro: “A violência psicológica contra os negros não é considerada no Brasil” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Stephanie Ribeiro: “A violência psicológica contra os negros não é considerada no Brasil” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Em 2012, no início do curso de arquitetura na PUC-Campinas, Stephanie Ribeiro viu um anúncio de uma vaga de estágio apenas para candidatos homens. “Achei absurdo, mas para meus colegas era normal”, diz. Indignada, começou a procurar livros e grupos feministas e, de lá para cá, tornou-se referência no assunto. Natural de Araraquara (SP), ela tem hoje 30 mil seguidores no Facebook e textos publicados em dezenas de sites. Ganhou fama com seu ativismo e os posts contundentes.
Stephanie não vem tendo uma experiência boa na universidade. “Sempre me senti isolada. Como bolsista do Prouni, recebo tratamento diferenciado”, diz. Depois do episódio da vaga, ela denuncia no Facebook casos de discriminação. Seus relatos ganharam repercussão, o que incomodou gente dentro e fora da faculdade. “Picharam meu armário e recebi mensagens anônimas como ‘preta fedida, volta para a África’”, afirma.
Já ouviu que merecia apanhar, por defender uma colega acusada de provocar uma briga entre dois rapazes. E porque negros “cheiram mal”. Um colega perguntou se aceitavam macacos para estágio. Stephanie denunciou as agressões à faculdade, que abriu uma sindicância, considerada “inconclusiva”.
Cursando o último ano, Stephanie superou os problemas de baixa autoestima do passado, pensa em seguir nos estudos e prepara um livro de ficção. “A violência psicológica contra os negros não é muito considerada no Brasil”, afirma.
—–

Resgate pela poesia

Mayara Silva de Souza, 23 anos: a advogada e poeta trabalha pela autoestima de meninas e quer que as conquistas das mulheres negras sejam vistas como algo normal

Mayara Silva de Souza: “Quando estiver bom para a mulher negra, estará bom para todos” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Mayara Silva de Souza: “Quando estiver bom para a mulher negra, estará bom para todos” / Foto: Felipe Gabriel/Agência IstoÉ
Depois de uma infância vivida no quarto da empregada – de onde só saía para ir à escola –, a advogada Mayara Silva de Souza passou a adolescência entre pontos de venda de drogas e livros. “Entre meus 14 e 16 anos, estudava muito em casa, mas várias vezes fui buscar meu irmão, então usuário, em biqueiras”, lembra. Mesmo depois de entrar na faculdade, ela continuou se preocupando em resgatar jovens. Levou o movimento de literatura marginal para as Fundações Casa e presídios. Com três amigos do coletivo Piratas do Tietê, criou o Asas Abertas, uma programação de saraus para detentos,com poesia feita na periferia.
Hoje, aos 23 anos, além de poeta e ativista social, Mayara é bacharel em direito, com título da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E também gestora e conselheira do Plano de Menina, projeto para empoderar crianças das comunidades do Grajaú (onde cresceu e mora até hoje) e do Capão Redondo, em São Paulo.
Toda a dedicação é para que as conquistas das mulheres negras deixem de ser vistas como um feito extraordinário. “Quando digo que sou advogada, escuto uma interjeição de surpresa. Quantas amigas brancas são advogadas e ninguém se surpreende? Quero que nosso cabelo e nossa cor deixem de ser polêmica”, diz. E vai mais fundo: “As pessoas precisam entender que, quando estiver bom para a mulher negra, estará bom para todos.”
fonte: Revista Planeta